sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Eleições sem festa

Estive pensando há alguns dias nas eleições deste final de semana. Um texto publicado hoje no informativo Migalhas animou-me a escrever sobre o tema. Como eram festivas as eleições há algumas décadas e como hoje elas caminham para o marasmo total.

São tantas regras, limitações e imposições que, a continuar nessa toada, em breve nossas eleições serão chatas como as dos EUA ou de alguns países europeus, onde mal se percebe que o dia é de escolha dos futuros governantes.

Os maiores responsáveis por tais regras são, de um lado, o Tribunal Superior Eleitoral, de outro, o Congresso Nacional. Atualmente, a boca de urna é proibida, os comícios não podem contar com artistas, o horário eleitoral não admite cenas externas ou efeitos visuais, alguns políticos estão vetados até de aparecer na propaganda de certos candidatos.

Isso para não falar nos chatíssimos debates eleitorais, com a participação de uma infinidade de candidatos nanicos e com tantas regras que o resultado costuma ser pior que o próprio horário eleitoral.

Assim, assinamos embaixo as palavras do Migalhas:

"Eleições
A propósito, seria tão bonito se no domingo, aniversário da Constituição, tivéssemos aquela festa nas ruas, com campanhas e tudo mais. Hoje em dia, a pretexto de tornar o processo eleitoral mais não sei o quê, acabou-se com a festa democrática que enfeitava as cidades. E a papelada que era jogada nas ruas, coisa que durava um dia só, era um sinal de que a democracia pulsava. Hoje, dia de eleição parece dia de Finados. E aqui, entre um e outro, ficamos com Finados, pois visitar os mortos é a garantia de que estamos vivos.
" (Migalhas)

Boa eleição a todos!

2 comentários:

Marcus Vinicius Bonfim disse...

Ricardo, acho que você e os colegas do Migalhas estão certos em parte. Realmente perdemos um pouco do colorido da democracia com as restrições de panfletagem, mas acredito que o problema maior em nossa jovem democracia (um pouco mais de 20 anos) é a pouca criatividade dos candidatos e de seus assessores de lado, e do excesso de restrições da justiça eleitoral.

O fato dos candidatos não poderem captar recursos financeiros com o uso de cartões de crédito, por exemplo, em doações de pessoas físicas, é um prato feito e cheio à corrupção, pelos interesses empresariais.

Não se faz política de verdade, com trabalho de base e de militância. Também não encontram partidos políticos coesos, com bandeiras firmes e inabaláveis. Você acaba votando mais em PESSOAS/CANDIDATOS do que em PROPOSTAS/PARTIDOS, e há ainda as coligações esdrúxulas, divisões internas enfim, fica difícil estar plenamente animado em votar.

Acho que estamos próximos de uma estagnação deste modelo de fazer política e de fazer eleições, e os partidos e candidatos quem souberem planejar melhor o seu saber e fazer política, vão prosperar, é o que eu acredito.

Gonzalo Ramirez Cleves disse...

Ricardo soy Gonzalo Ramirez profesor de Derecho Constitucional de Colombia, estamos organizando un encuentro de Blawgers en Bogotá para el 2009. Por favor escribeme a goracles@yahoo.es

Gonzalo